segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ela





O Ela que adoro,
Não é o Ela que vejo,
Aquele Ela que gosto,
Não é esse Ela assim.

O Ela que admiro,
Tem detalhes bonitos.
O mais belo sorriso,
E a inocência de amar.

O que d’Ela tenho,
Não é o Ela que quero,
Nem o que d’Ela faz,
Nem porque Ela choro.

O Ela que resta,
Não tem vestígios de mim,
É melhor assim?
Melhor o fim.



Kuosan Lai

sábado, 21 de abril de 2012






‎Há lutas que eu insisto,
E batalhas que desisto.
Algumas acabaram ontem,
Outras, ainda estão acabando.


Há mentiras que vejo
Verdades que choro,
Coisas que odeio,
Outras que adoro.


Há sempre um refúgio,
Pra onde eu corro,
Pra longe da chuva,
Onde eu possa descansar.


Ainda há elogios,
Para os rabiscos que escrevo,
E perdidos vestígios,
Das loucuras que faço.


Há tempo no relógio,
Que sempre vai haver,
Que corre enquanto luto,
Ou enquanto tento escrever.


Se algo meu há de ficar pra sempre,
Prefiro que seja minha poesia,
Não meus enfadonhos dias,
Nem meus amores mal resolvidos.


Porque a luta acaba,
O dia passa,
As pessoas vão embora.
Mas a poesia...é pra sempre



Kuosan Lai



domingo, 25 de março de 2012

A maior da maior das dores ...





"A maior da maior das dores,
É meu coração ser poeta.
E na paleta de todas as cores,
Pincelar versos que lembram você.

Como luzes da cidade,
Ou uma sereia que canta no mar,
Como versos, como músicas,
Como alguém que eu possa amar.

A maior de todas as dores,
Nasce no calor d’um beijo,
Num ímpeto, num desejo,
 Numa vontade sem pensar.

A maior da maior das dores,
Rasga a fibra do meu peito,
Devora-me esse seu jeito,
De falar com o seu olhar.

Seu olhar hoje diz pra mim,
Que minha paixão não vale nada,
Que você é livre e bem amada,
Sou eu que preciso de você...

A maior da maior das dores,
É o mundo perder as cores
No toque dos seus amores,
Minha pintura começa a morrer."


George Lai

domingo, 11 de março de 2012

Pequeno Conto ...





Era uma vez um pequeno Verso,
Que não escrevia um conto qualquer,
Nem lembrava uma ode sequer,
Como almejava o pobre poeta.

O verso desenhado em cada página,
Buscava encontrar um só segredo,
Que desvendasse seus amores e medos,
Sem nunca, nunca, deixar de sonhar.

Triste era o pequenino Verso
Que nem no dicionário mais diverso,
Encontrou palavras para poder versar,
Esqueceu-se dos poemas, jogou-se no mar...

Grandes mares de infinitos encantos,
O Verso escutava apenas os cantos,
Das sereias que colocavam-se a cantar,
Os segredos mais profundos,
Das profundezas do mar...

De segredos em segredos a saltar,
O Verso encontrou aquilo que buscava,
Era a Música, sua amada,
Que sozinha cantava
O que Verso achava ser um grande segredo...

Cantava ela e ele escrevia,
Para que suas linhas virassem estrofes,
E suas estrofes virassem poesia :

“São tantos diferentes sons,
De incompreensíveis e belos tons,
Que trouxera-me até ela ...
Como melodia, criatura mais bela...
Saudade de nunca mais esquecer...”

E feliz foi o Verso,
Enquanto o mar engolia,
O que restava de sua tinta,
E ele desapareceu...

Deixou sua amada, tão bela intocada...
Cantar pelos Oceanos, sua última canção
“Como melodia, canção mais bela...
Versos não seriam poesia sem ela...”

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Página Vazia



"A página vazia
Não precisa de assunto.
É tema por si só.


E se não houvesse página?
Não há como dizer...
Páginas são só páginas,
E paginas elas devem ser.


O vazio da página,
É tão vazio por completo,
Que nem o poeta mais seleto,
Precisaria suja-la com palavras.


As páginas que estão vazias,
Não necessitam de um poeta.
É o poeta que necessita,
Das suas pobres poesias,
Rabiscadas nas páginas vazias."


Kuosan

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O último poema de amor ...







O último poema de amor
Que rabisco em nome dela,
Não conta uma paixão aflita,
Nem são promessas escritas,
Ou um adeus para dizer.

É só mais um poema de amor,
Que dispensa a visita da dor,
É uma despedida singela.

O último poema de amor,
É um resumo de toda sequela,
Das últimas lembranças dela,
Que um dia guardei em mim.
Que agora já esqueci,
E não faço questão nunca mais.


-  Dedicado a ELA, pela última vez -
Lai  Kuosan

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Poema, Poesia, Métrica ...

Kuosan Lai


"Meço poesia metro por metro

Métrica, ritmo, estrofe, verso.

Medida, sílaba, verbo também.

Poema da rima, pobre, de alguém.


Poema é vida e da vida, é além.

É sussurro, grito, verbo de ação.

Que da eloquência, faz de graça,

E traduz , alegre, tamanha prolfaça.


Poema é poesia se acaso sinestésico,

Poesia é amor, e do amor, anestésico.

Poema são transcrições dela, minhas,

A saudade que ela deixa é que são poesias..."