quinta-feira, 31 de maio de 2012

Caderno





"No caderno de poesias
Um monte de versos
Ruins, mas meus.

Um punhado de sonhos
Que cabe nas mãos,
Alguns em vão,
Outros, sei não ...

Um pouco de vida,
Mais carta de despedida
Menos poemas de amor.

Mais páginas molhadas
De lágrimas derramadas
Menos farsas pintadas.

Mais poemas no caderno,
Menos resguardas em mim,
Mais rascunhos sem nexo,
Menos, mais, mesmo fim."


Kuosan Lai

Sono


Quero novas asas
Pra voar de verdade.
Pincelar realidade,
Nos planos de amanhã.

Bailar entoando a melodia
Anoitecer cantando o dia
Adormecer sob um banho de luar
Voltar, amar, voltar!


Kuosan Lai

sexta-feira, 18 de maio de 2012

P'ra onde eu vou




"Se mergulho n’outro mundo,
Não demora nem meio segundo ...
Está ao alcance da ponta dos dedos.
Deuses, monstros, aventuras e segredos.

Para salvar a princesa, de castelo em castelo,
Com seu dragão, seu irmão, flores e cogumelos.
Derruba o mundo inteiro num salto certeiro,
Um vermelho chapéu, no campo ou mausoléu.

Defende a princesa com o fulgor de sua vida
Raptada, a princesa, tão bela e perdida.
É só uma espada, um escudo e um chapéu de duende.
Com corações, canções, enfrenta o mundo pela frente.

Talvez decida ser apenas um assassino,
Que na irmandade, no passado, molda o destino.
A lâmina escondida é sua mais letal arma,
Sua coragem determina o futuro que o aguarda.

Posso até ser um menino que viaja no tempo,
Com um sapo, uma inventora, na força do pensamento.
Um pingente no peito que lembra a princesa,
Na sala do tempo a chama ainda acesa.

Posso até nascer numa terra de dragões,
Ser o escolhido, ser o rei, ser líder de legiões.
A magia, mais forte, está na força d’um grito.
Com coragem, perseverança, acima de qualquer conflito.

Mas hoje prefiro não ir a lugar algum,
Ser só eu, sozinho, sem videogame nenhum.
Hoje meu mergulho vai ser n’um lugar diferente.
Abro meu livro, viajo, esqueço da gente.”


Kuosan Lai

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vida





"A vida é uma taça na corda bamba,
Que pende pros lados e ameaça cair.
A vida é a nota final da roda de samba.
E os misteriosos dias que estão por vir.

A vida é o verso no final de cada poesia,
A clave inicial de infinitas sinfonias.
Ela é o sorriso bonito dos dias,
E a culpada de todas as agonias.

A vida são os grandes amores de ontem,
Os sonhos mais belos de outrem,
E as tristezas que cantam mártir.

A vida é tudo aquilo que ainda não chegou,
Os dias que foram vividos no passado ...
E as incertezas que o futuro reserva.

A vida , em vida, é uma certeza só...
Na certeza, a incerteza, um eterno repouso
O tempo, em ponteiros, não volta nunca mais
Não volta, só passa, acaba rápido demais.



Kuosan Lai

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Nevermind



It is so hard for me to see,
The lovers we will never be...
And it is even harder to believe,
That the one I want most,
Will never love me.

No matter how I stand,
She'll never take my hand.
No matter how hard I try,
She'll never be mine...
So nevermind.

Just let her fly high,
There are so many skies...
And a place for me to die,
So nevermind.

Release my soul,
Let her go,
To somewhere I don't know,
With someone I have never seen,
Without me, without me …



Kuosan Lai

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ela





O Ela que adoro,
Não é o Ela que vejo,
Aquele Ela que gosto,
Não é esse Ela assim.

O Ela que admiro,
Tem detalhes bonitos.
O mais belo sorriso,
E a inocência de amar.

O que d’Ela tenho,
Não é o Ela que quero,
Nem o que d’Ela faz,
Nem porque Ela choro.

O Ela que resta,
Não tem vestígios de mim,
É melhor assim?
Melhor o fim.



Kuosan Lai

sábado, 21 de abril de 2012






‎Há lutas que eu insisto,
E batalhas que desisto.
Algumas acabaram ontem,
Outras, ainda estão acabando.


Há mentiras que vejo
Verdades que choro,
Coisas que odeio,
Outras que adoro.


Há sempre um refúgio,
Pra onde eu corro,
Pra longe da chuva,
Onde eu possa descansar.


Ainda há elogios,
Para os rabiscos que escrevo,
E perdidos vestígios,
Das loucuras que faço.


Há tempo no relógio,
Que sempre vai haver,
Que corre enquanto luto,
Ou enquanto tento escrever.


Se algo meu há de ficar pra sempre,
Prefiro que seja minha poesia,
Não meus enfadonhos dias,
Nem meus amores mal resolvidos.


Porque a luta acaba,
O dia passa,
As pessoas vão embora.
Mas a poesia...é pra sempre



Kuosan Lai