quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O que se perde... ?




"O homem está sempre perdendo
Perde a chave, perde argumento.
Até se nada perde no momento,
No mínimo já perde tempo.

Já perde abraço, já perde hora,
No mínimo ele perde o agora.
Perde um sorriso, perde tudo...
Perde o dia e o homem chora.

O homem passa tempo demais,
Tentando chegar ao destino.
Olha no relógio, qual é a hora?
Esquece tudo, a hora é agora.

O homem perde tempo demais,
Tentando não perder nenhum tempo...
O que o homem não pensa jamais:
No fim, quanto valeu o tempo?

O homem perde a vida inteira,
Tentando encontrar mais tempo...
Quando não percebe que o importante
É agora, esse exato momento..."





Kuosan Lai






sábado, 16 de junho de 2012

Amarga'lma

Amarga a alma
a ausência.


A ausência,
amarga a alma.


A amarga ausência,
Alma.


Amarga ausência
Ausente alma.


Alma, ausência,
Ausência?
Abismo...




Kuosan Lai

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Testamento



"Quando enfim acabar minha vida
Deixarei para alguém as poesias escritas
São versos em estrofes repetidas
São vazios, e de vazios são preenchidas.

Com audácia chamo poesia
Os rabiscos de todos os meus dias
E se há algum testamento
Que sejam os meus sentimentos.

São palavras incompletas
Das dedicatórias (simples) repletas
E os ressentimentos em palavras seletas...
As pobres rimas sem métrica.

Dedico os escritos a ela,
Vazios em páginas, súplicas.
São versos, e versos são ela
Meus poemas ?
São todos dela.

Kuosan Lai

Pseudo-poeta


"E ele que achava poetizar
sobre luar, luzes, sobre o mar
A ponta da pena em tinta
De grito, de lágrimas que pinta
de partida...

O poeta diz adeus e sublima
no sonho dá asas à rima
Ainda o amor por viver
O medo d'ainda amar você

Ele ama você, é poeta.
É poeta e ama você
Ele é poeta e quer escrever
Que só é poeta (e não sabe dizer)
porque ama você.


Kuosan Lai

terça-feira, 12 de junho de 2012

Relógio



"O homem manda no relógio,
Dá corda relógio! Acorda!

O relógio manda no homem,
Acorda, agora, olha a hora!


O homem não manda mais
O que o relógio quer, ele faz
Discutem o relógio e o homem
São relógios e homens?
Ou homem-relógio?"


Kuosan Lai

sábado, 9 de junho de 2012

Aquele março só dela ...






"As luzes querem adormecer, sozinhas, o dia,
Como o erro refletido na manhã tão tardia.
Tantas saudades são, agora, lembranças sombrias,
Quantas delas são verdades? Quantas são mentiras?

A falta que ela faz não consegue ser descrita,
Nem pintada em colorida tinta, nem mesmo fingida,
Nem musicada em nota, nem em mais bela sinfonia,
A dor que ela deixa só consegue ser sentida.

Como aquele primeiro beijo de Outono,
E o calor inesquecível dos seus abraços.
Como as cores tão vividas de uma fotografia,
E o inverno tão triste que sua partida anuncia.

Como a fragrância inesquecível do seu perfume,
Os goles de álcool que afogaram meus ciúmes.
E até seu jeito tão especial de chamar meu nome,
Não passa de uma enorme dor que me consome.

E a saudade tão triste que ainda existe em mim,
É só saudade e a saudade para de doer no fim.
Enquanto o tempo lava as cicatrizes das feridas.
São paixões e não a saudades que devem ser vividas.”


Kuosan Lai

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Meio



Sou um meio, meio assim...
Meio mais ou menos,
Meio do tudo ou nada
Meio amada
Meio demais às vezes
Meio da pá virada
E dias de meio nada!

Meio tudo que precisam
Meio importante, ou não
Meio sorriso e solidão
Meio do meio, do lado
Meio do lado de lá
Meio caminho andado
E as vezes meio abandonado!

Meio necessário
Meio degrau e ponte
Meio mão e fonte
Meio sem horizonte
Meio abstrato, impalpável
Meio abominável
E assim meio descartável!


Não importa quanto tempo passe
Nem o que eu viva, enfim
Sempre me fazem acreditar
Que eu sou um meio e não um fim!


Helena Alves Pereira